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Como adquirir imóveis em leilão com segurança: guia prático para investidores

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Oportunidades reais existem, mas exigem preparo. Saiba como evitar armadilhas e fazer um bom negócio.

O mercado de leilões de imóveis cresceu 25% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da ABRAIM e não é por acaso: comprar abaixo do valor de mercado é uma realidade. Mas, como todo bom negócio, exige conhecimento.

Um imóvel em leilão pode ser um excelente investimento ou uma dor de cabeça de anos. A diferença está na preparação.

Aqui listamos alguns passos essenciais para arrematar com segurança jurídica.

 

  1. ENTENDA A DIFERENÇA: LEILÃO JUDICIAL VS. EXTRAJUDICIAL:

Existem dois tipos principais de leilão. Conhecer a diferença é o primeiro passo para avaliar riscos:

Leilão Judicial: Conduzido pela Justiça durante processos de execução (dívidas fiscais, hipotecárias ou trabalhistas). Oferece mais garantias formais, pois um juiz supervisiona todo o processo

Leilão Extrajudicial: Realizado por bancos ou credores, geralmente após inadimplência em contratos de alienação fiduciária. É mais ágil, mas exige redobrada atenção com documentação e débitos

 

  1. LEIA O EDITAL COMO SE FOSSE UM CONTRATO (PORQUE É):

O edital é a “bíblia” do leilão. Ele contém todas as regras, condições e, principalmente, os riscos do imóvel. Nunca arremate sem ler integralmente. E se atenha a estes pontos que precisam ser observados:

  • Forma de pagamento (à vista ou parcelado, utilização de FGTS)
  • Prazos para quitação
  • Situação de ocupação (desocupado ou ocupado)
  • Débitos que permanecem com o imóvel
  • Taxas e comissões do leiloeiro

 

  1. A MATRÍCULA DO IMÓVEL: SEU ESCUDO CONTRA SURPRESAS:

A matrícula atualizada no cartório de registro de imóveis revela a “história” do bem. Solicite-a e verifique:

  • Proprietário registrado (confirme quem está vendendo)
  • Ônus reais (hipotecas, penhoras, usufruto)
  • Ações judiciais que afetam o imóvel
  • Alienação fiduciária (no caso de leilões extrajudiciais)

Dica prática: Não confie apenas em resumos. Peça a certidão completa de ônus e ações reais. O custo é baixo comparado ao risco de comprar um imóvel com pendências ocultas

 

  1. CALCULE O CUSTO REAL (NÃO APENAS O LANCE):

O valor do arremate é só parte da conta. Some todos os custos antes de definir seu limite de lance:

Item Estimativa
Valor do arremate X
Comissão do leiloeiro (geralmente 5%) + 5%
ITBI (Imposto de Transmissão) + 2-3%
Custas cartoriais + Varia
Débitos herdados (IPTU, condomínio) + Pesquisar
Reformas necessárias + Vistoriar
Custo Total Estimado = X + extras

 

Mesmo com esses custos, o desconto em relação ao mercado pode chegar a 40%

 

  1. O RISCO DA OCUPAÇÃO: IMÓVEL VAZIO VS. OCUPADO:

Este é o ponto crítico. Cerca de 30% dos imóveis leiloados no Brasil apresentam algum tipo de litígio ou disputa não resolvida.

MAS ATENÇÃO: não é porque o imóvel está ocupado que a arrematação é um risco. Existem ferramentas jurídicas eficazes para conseguir a desocupação do imóvel. Neste momento, contar com ajuda especializada fará toda a diferença.

 

  1. DÍVIDAS: O QUE VOCÊ PAGA E O QUE NÃO PAGA:

Em leilões judiciais, o STJ decidiu em 2024 que o arrematante não responde por IPTU anterior ao leilão. Esses débitos são pagos com o valor do arremate. Mas fique atento, pois outras dívidas podem permanecer, especialmente em leilões extrajudiciais: taxas de condomínio em atraso; contas de água; luz e gás; condomínios especiais (obras, fundo de reserva)

O ideal é consultar os órgãos competentes e concessionárias, bem como o síndico para apurar os débitos.

Em todo esse processo é essencial contar com uma assessoria jurídica especializada. Isso não é não é luxo — é proteção patrimonial. Um profissional especializado em assessoria jurídica em leilões imobiliários vai:

  • Analisar editais e matrículas tecnicamente
  • Identificar riscos ocultos que você não veria
  • Planejar a estratégia de desocupação, se necessário
  • Defender seus direitos se surgir alguma disputa

 

Checklist Final: Antes de Dar o Lance

✅ Li o edital completo

✅ Consultei a matrícula atualizada

✅ Verifiquei débitos de IPTU e condomínio

✅ Confirmei se está desocupado ou calculei o risco da ocupação

✅ Somei todos os custos extras

✅ Defini meu limite máximo de lance (e vou respeitá-lo)

✅ Consultei um advogado especializado

 

Conclusão

Comprar imóvel em leilão é seguro e pode ser extremamente vantajoso — mas apenas para quem está preparado. A regra de ouro é: informação antes do impulso. Com análise documental completa, cálculo real de custos e assessoria jurídica especializada, você transforma riscos em oportunidades concretas de valorização patrimonial.

Tem interesse em imóveis em leilão? Entre em contato conosco. Analisamos oportunidades específicas e acompanhamos todo o processo para garantir sua segurança jurídica.

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Laiz Morais Defende  – OAB/GO 43.396
Advogada, especialista em Direito Processual Civil; Especialista em Direito Imobiliário, Negócios & Operações; Presidente da Comissão Especial de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB-GO, Subseção de Aparecida de Goiânia (2025/2027); Superintendente da CASAG da OAB-GO, subseção de Aparecida de Goiânia; Árbitra na 2º Câmara de Conciliação e Arbitragem de Goiânia/GO;

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